Entrar numa aceleradora americana é um dos caminhos mais curtos para uma startup brasileira chegar a investidores, clientes e mentores nos Estados Unidos. Mas os programas são muito diferentes entre si: alguns investem centenas de milhares de dólares e ficam com uma fatia da empresa, outros não pedem participação nenhuma e focam em apresentar você a grandes corporações. Uns exigem que o time se mude para San Francisco, outros funcionam quase todo a distância.
Neste ranking comparamos cinco aceleradoras que aparecem para quem pesquisa o assunto no Brasil. Para cada uma, mostramos o que o site oficial diz sobre investimento, participação (equity), formato, inscrição e aceitação de fundadores de fora dos EUA, e explicamos por que ela ficou na posição em que está.
Resumo rápido
- Y Combinator: melhor para quem quer o maior cheque com termos totalmente publicados e aceita se mudar para San Francisco durante o programa.
- Techstars: melhor para quem quer termos publicados e um formato híbrido, com programas em várias cidades americanas.
- Alchemist Accelerator: melhor para startups B2B e de infraestrutura técnica que não querem reorganizar a empresa antes de receber o investimento.
- 500 Global: melhor para fundadores que já estão nos EUA ou vão se mudar em até seis meses e querem um programa presencial em San Francisco.
- Plug and Play: melhor para quem quer acesso a grandes empresas americanas sem ceder participação.
Comparação das 5 aceleradoras
| Aceleradora | Investimento | Participação | Formato | Aceita fundadores fora dos EUA |
|---|---|---|---|---|
| Y Combinator | US$ 500 mil | 7% fixo + conversão de um SAFE sem cap | Presencial em San Francisco, 3 meses | Sim, startups de qualquer país |
| Techstars | US$ 220 mil (US$ 120 mil na Ásia-Pacífico) | 5% + conversão de um SAFE sem cap | Híbrido ou remoto, 3 meses, várias cidades | Sim (programa de Nova York) |
| Alchemist Accelerator | De US$ 60 mil a US$ 1 milhão | Não indicada | Sede em San Francisco, dá para participar de qualquer lugar | Sim, fundadores de 60+ países |
| 500 Global | Até US$ 50 mil de início, potencial de até US$ 1 milhão | Não indicada | Presencial em San Francisco, 4 meses | Só se estiver nos EUA ou for se mudar em até 6 meses |
| Plug and Play | Não faz parte do programa (há time de VC à parte) | Sem exigência de participação | Programas de 3 meses por setor, em vários locais | Sim, tem programa para empresas estrangeiras |
O que você precisa saber antes de se inscrever
Investimento e participação
A maioria das aceleradoras que investe usa o SAFE (Simple Agreement for Future Equity), um contrato em que o investidor coloca dinheiro hoje e recebe participação só quando a startup faz uma rodada futura. Um SAFE “sem cap” (uncapped) não tem teto de valuation; com a cláusula MFN (most favored nation), ele converte nas melhores condições dadas a outros investidores até a rodada. Na prática, a participação final da aceleradora só fica clara na rodada seguinte. Se o termo for novo para você, o nosso guia sobre o que é um SAFE explica o mecanismo com calma.
Estrutura societária
Algumas aceleradoras só investem em empresas constituídas em determinados países. A Y Combinator, por exemplo, investe em empresas dos EUA, Canadá, Ilhas Cayman e Singapura, e a Techstars em empresas americanas ou de países equivalentes aprovados. Quando o país da startup não está na lista, a saída costuma ser uma holding, muitas vezes com um Delaware flip: a empresa americana passa a ser dona da empresa brasileira. O processo leva tempo e envolve advogado e contador nos dois países, então vale entender antes de se inscrever. Explicamos o passo a passo no guia sobre Delaware flip e holding americana.
Visto e presença física
Programas presenciais exigem que o time esteja nos EUA durante semanas ou meses. Ser aceito numa aceleradora não dá visto automaticamente. Veja as opções no nosso guia de vistos para empreendedores nos EUA.

As 5 aceleradoras em detalhe
1. Y Combinator

A Y Combinator investe US$ 500 mil em cada startup aceita, segundo a página do acordo padrão: US$ 125 mil num SAFE post-money que vira 7% fixos da empresa e US$ 375 mil num SAFE sem cap com cláusula MFN. O programa dura três meses e, de acordo com a página sobre a YC, acontece quatro vezes por ano (inverno, primavera, verão e outono). A página de inscrição diz que o batch é presencial no campus de San Francisco, com três dias de abertura e encontros regulares na cidade.
Segundo o FAQ, a inscrição é aberta a startups de qualquer lugar do mundo, e times de fora dos EUA não precisam abrir empresa nem tirar visto antes de se inscrever. Se forem aceitos, a YC diz que ajuda com a constituição da empresa e com o visto, por meio de advogados de imigração. A YC investe em empresas dos EUA, Canadá, Ilhas Cayman e Singapura; startups de outros países precisam criar uma empresa-mãe num desses lugares.
Ideal para: fundadores que podem passar três meses em San Francisco e querem o cheque mais alto da lista. Porque se destaca: é a única da lista que publica de forma completa valor, instrumentos e participação, aceita startups de qualquer país e diz ajudar com visto e reestruturação. Prós: termos claros; ajuda com imigração e constituição; entrevistas por vídeo; decisão normalmente no mesmo dia da entrevista e investimento logo após a aceitação. Contras: exige presença em San Francisco; empresa brasileira precisa de holding num dos quatro países aceitos; atendimento em português não indicado. Preço: taxa de participação não indicada; investe US$ 500 mil em troca de 7% mais a conversão do SAFE sem cap. Para o batch de inverno de 2027, o prazo regular terminou em 2 de novembro de 2026; inscrições atrasadas ainda são consideradas, sem prazo de resposta garantido.
2. Techstars

A Techstars investe US$ 220 mil na aceitação, segundo a página de termos de investimento: US$ 200 mil num SAFE sem cap com MFN e US$ 20 mil num contrato de participação conversível que garante 5% em ações ordinárias. Nos programas da Ásia-Pacífico, o SAFE é de US$ 100 mil. A empresa diz que os programas oferecem três meses de apoio intensivo baseado em mentoria, e a lista de aceleradoras inclui programas em Boston, Boulder, Chicago, Nova York, Baltimore e outras cidades americanas, além de Londres e Tóquio.
O programa de Nova York diz que os fundadores podem estar em qualquer lugar do mundo. O formato é híbrido: as duas primeiras semanas são presenciais, há mais uma semana presencial no meio e o Demo Day no final. Para a turma que começa em 8 de março de 2027, o prazo final de inscrição é 18 de novembro de 2026. Já o Techstars Anywhere é remoto, com três encontros presenciais, mas é voltado a empresas em fusos horários da América do Norte.
Ideal para: startups que querem termos publicados e um formato que não exige mudança por três meses. Porque se destaca: termos claros e programas em muitas cidades americanas, com pelo menos um que aceita explicitamente fundadores de qualquer país. Prós: investimento e participação publicados; formato híbrido; várias opções de setor e cidade. Contras: investe em empresas americanas ou equivalentes aprovados, e startups de países fora da lista precisam se reorganizar antes; nem todo programa diz se aceita fundadores de fora; atendimento em português não indicado. Preço: taxa de participação não indicada; investe US$ 220 mil em troca de 5% mais a conversão do SAFE.
3. Alchemist Accelerator

A Alchemist (o antigo endereço alchemistaccelerator.com redireciona para o novo site) investe em startups pre-seed e seed de fundadores técnicos que constroem tecnologia e infraestrutura para empresas. Segundo o site, os cheques vão de US$ 60 mil a US$ 1 milhão, conforme a empresa e o programa. A sede fica em San Francisco, com programas regionais em Chicago, Doha e Tóquio.
O ponto mais relevante para brasileiros está no FAQ: a Alchemist diz que investe fora dos EUA e que a estrutura do investimento funciona com o país de constituição da startup. Ela também diz que dá para construir a empresa de qualquer lugar; quem está no Vale do Silício pode ter uma mesa no escritório por seis meses, e as sessões de entrada no mercado americano acontecem em San Francisco ou de forma virtual. A empresa afirma ter feito mais de 750 investimentos desde 2012, com fundadores de mais de 60 países.
Ideal para: startups B2B e de tecnologia profunda que querem investimento americano sem mudar a estrutura societária primeiro. Porque se destaca: é a única entre as que investem que diz trabalhar com o país de constituição da startup, o que pode evitar ou adiar o flip. Prós: sem necessidade declarada de reestruturação; participação remota possível; inscrição direta pelo formulário, sem precisar de indicação. Contras: participação (equity) não publicada; foco restrito a tecnologia para empresas; atendimento em português não indicado. Preço: não informa taxa de participação; investimento de US$ 60 mil a US$ 1 milhão, com participação sob consulta.
4. 500 Global

A 500 Global lista no site dois programas de aceleração com a marca US/Global: o Flagship Accelerator e o Alberta Accelerator. A página do Flagship diz que o programa dura quatro meses, é presencial em San Francisco e funciona em turmas, com um dia semanal em grupo e reuniões individuais. O investimento é de até US$ 50 mil logo na entrada, com potencial de até US$ 1 milhão a mais conforme a empresa avança.
A condição de elegibilidade pesa para quem está no Brasil: o Flagship pede que o time já esteja nos EUA ou planeje estar em até seis meses. A inscrição é feita online e os selecionados passam por uma série de entrevistas. A empresa diz ter apoiado mais de 3.000 startups, segundo números internos que ela mesma informa como não verificados externamente.
Ideal para: fundadores que já decidiram se mudar para os EUA e querem um programa presencial. Porque se destaca: marca global conhecida e programa aberto a empresas em estágio inicial, sem exigir receita ou usuários. Prós: aceita startups desde o primeiro dia; potencial de investimento adicional ao longo do tempo; programa presencial com acompanhamento individual. Contras: participação (equity) não publicada; exige presença nos EUA em até seis meses; atendimento em português não indicado. Preço: não informa taxa nem participação; até US$ 50 mil na entrada.
5. Plug and Play

A Plug and Play começou oficialmente em 2006, num prédio em Sunnyvale, na Califórnia, segundo a página de história. Os seus programas de aceleração funcionam de um jeito diferente das outras desta lista: não exigem participação na startup e são desenhados com grandes corporações para gerar negócios, com reuniões individuais com parceiros, eventos e uma apresentação final. A empresa diz rodar programas personalizados de três meses há quase uma década.
Entre os programas ativos listados está o Int’l Landing Pad Network, em Nova York, que a empresa descreve como pensado para empresas globais que querem se expandir para o mercado americano. O site também lista São Paulo entre os seus locais. O investimento existe, mas fica a cargo de um time de venture capital interno, separado do programa.
Ideal para: startups que já têm produto e querem clientes corporativos nos EUA sem ceder participação. Porque se destaca: é a única da lista que diz não exigir equity no programa, e tem um programa específico para empresas estrangeiras que entram nos EUA. Prós: sem exigência de participação; programas por setor; presença em São Paulo e em várias cidades americanas. Contras: o programa não traz investimento garantido; termos e critérios variam conforme o programa e o parceiro corporativo; atendimento em português não indicado. Preço: não informado; sem exigência de participação, segundo o site.
Como escolher a aceleradora certa
- Defina se você pode se mudar. Se o time não pode passar meses nos EUA agora, olhe primeiro para formatos híbridos ou remotos (Techstars Nova York, Alchemist) ou para programas sem exigência de presença.
- Veja o que a aceleradora exige da sua empresa. Y Combinator e Techstars investem em empresas de países específicos; a Alchemist diz trabalhar com o país de constituição. Se você vai precisar de um flip, comece cedo e consulte nosso comparativo de serviços para abrir C-Corp em Delaware.
- Calcule quanto da empresa você cede. Compare o valor investido com a participação fixa e com o efeito da conversão do SAFE na próxima rodada. Desconfie de termos não publicados até recebê-los por escrito.
- Pense no que você mais precisa. Se o gargalo é dinheiro e rede de investidores, as aceleradoras que investem fazem mais sentido. Se é cliente, um programa corporativo como o da Plug and Play pode render mais.
- Confira prazos. Cada aceleradora tem calendário próprio, e algumas aceitam inscrição atrasada sem garantia de resposta.
Erros comuns
- Achar que aceitação dá visto. Nenhuma aceleradora emite visto. Algumas ajudam no processo, mas a decisão é do governo americano.
- Deixar a estrutura societária para depois. Um flip feito às pressas, depois da aceitação, costuma sair mais caro e mais lento.
- Comparar só o valor do cheque. US$ 500 mil por 7% mais um SAFE sem cap é diferente de US$ 220 mil por 5% mais um SAFE: faça a conta com a sua projeção de rodada.
- Ignorar o foco de cada programa. A Alchemist é para tecnologia voltada a empresas; o Techstars Anywhere é para fusos da América do Norte. Inscrever-se fora do perfil desperdiça uma tentativa.
Perguntas frequentes
Startup brasileira pode entrar na Y Combinator?
Sim. Segundo o FAQ da Y Combinator, a inscrição é aberta a startups de qualquer lugar do mundo, e times de fora dos EUA não precisam abrir empresa nem tirar visto antes. Se forem aceitos, a YC diz ajudar com constituição e visto. A empresa precisa ter uma empresa-mãe nos EUA, Canadá, Ilhas Cayman ou Singapura.
Quanto as aceleradoras americanas investem?
Varia bastante. A Y Combinator investe US$ 500 mil, a Techstars US$ 220 mil, a Alchemist de US$ 60 mil a US$ 1 milhão e a 500 Global até US$ 50 mil na entrada, com potencial de mais. A Plug and Play não investe como parte do programa, mas tem um time de venture capital à parte.
Existe aceleradora americana que não fica com participação?
Sim. A Plug and Play diz que os seus programas de aceleração não exigem participação na startup. O foco do programa é conectar startups a grandes corporações, e não fazer um investimento padrão.
Preciso fazer um Delaware flip para entrar numa aceleradora?
Depende da aceleradora. A Y Combinator investe em empresas dos EUA, Canadá, Ilhas Cayman e Singapura, e a Techstars em empresas americanas ou de países equivalentes aprovados; quem está fora da lista precisa se reorganizar, em geral com uma holding. Já a Alchemist diz que a estrutura do investimento funciona com o país de constituição da startup.
Dá para participar de uma aceleradora americana morando no Brasil?
Em alguns casos. A Alchemist diz que os fundadores podem construir de qualquer lugar, e o programa da Techstars em Nova York é híbrido, com algumas semanas presenciais. A Y Combinator e o Flagship da 500 Global são presenciais em San Francisco.
O que é um SAFE sem cap com MFN?
É um contrato de investimento que vira participação na próxima rodada, sem teto de valuation. A cláusula MFN faz com que ele converta nas melhores condições dadas a outros investidores com SAFE até a rodada. Y Combinator e Techstars usam esse instrumento em parte do investimento.
Próximos passos
Antes de se inscrever, entenda como funciona a captação de investimento nos EUA e prepare a estrutura da empresa com antecedência. Como os termos de investimento e a reorganização societária têm efeitos fiscais e legais nos dois países, confirme o seu caso com um contador e um advogado no Brasil e nos EUA.



